Dependência química: dados apontam 35 milhões de pessoas sofrendo com transtornos

Data de publicação: 16/02/2023

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, a dependência química nada tem a ver com mau comportamento, falta de caráter ou de força de vontade. Trata-se de uma doença crônica, com a qual o indivíduo acometido acaba sofrendo com distúrbios mentais e físicos.


O mais preocupante diante dessa realidade é que o número de dependentes químicos é vasto.


Dados estatísticos sobre a dependência química

De acordo com estudos e dados de 2021 das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 35 milhões de pessoas de todo o mundo sofrem transtornos resultantes do uso de drogas. Os relatórios de 2021 ainda avaliam que pandemia potencializou riscos de dependência.


Em nosso país, quase 30 milhões de pessoas têm alguém na família que é dependente químico. De acordo com pesquisas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em média, 6% da população brasileira faz uso de algum tipo de droga, sendo dependente químico. Essa porcentagem caracteriza mais de 12 milhões de pessoas.


Segundo a UNODC, a cocaína está entre as substâncias químicas mais consumidas entre os jovens da classe média do Brasil. Hoje, 18% da oferta mundial anual dessa droga é consumida por 2,8 milhões de brasileiros, ou seja, 1,4% da população.


 O que caracteriza a dependência química

A dependência química consiste no uso excessivo e desenfreado de substâncias  que ameaçam a saúde e o bem-estar físico e mental de uma pessoa. Conforme o uso recorrente, esta pode desenvolver um padrão comportamental patológico, alterações físicas e psiquiátricas.


Ao mesmo tempo, acaba por ameaçar também a segurança física e o bem-estar emocional das pessoas próximas ao dependente.


Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), uma pessoa pode ser considerada dependente química se apresentar 2 ou mais critérios por pelo período mínimo de 12 meses:


A substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período de tempo maior que o pretendido.


Desejo persistente ou esforços mal sucedidos na tentativa de reduzir ou controlar o uso da substância.


Muito tempo é gasto em atividades relacionadas à obtenção, utilização ou recuperação dos efeitos do uso da substância.


Fissura, desejo intenso ou mesmo necessidade de usar a substância.


Uso recorrente da substância, resultando em fracassos no desempenho de papéis em casa, no trabalho ou na escola.


Uso contínuo da substância, apesar dos problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou piorados por seus efeitos.


Abandono ou redução de atividades sociais, profissionais ou recreativas importantes ao indivíduo devido ao consumo de substâncias.


Uso contínuo da substância mesmo em situações nas quais esse consumo representa riscos à integridade física.


O consumo é mantido apesar da consciência de se ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado por esse uso.


Tolerância, definida como: efeito acentuadamente menor com o uso continuado da mesma quantidade de substância e/ou necessidade de quantidades progressivamente maiores de substância para atingir o mesmo grau de intoxicação.


Abstinência manifestada por: síndrome de abstinência característica da substância utilizada e/ou uso da substância ou de similares na intenção de evitar os sintomas de abstinência.


Dependência: algo além da questão moral

O termo “vício” já não é mais utilizado. “Dependência” é o mais adequado para evitar qualquer estereótipo ou implicação de ordem ético-moral para a pessoa.


A dependência enquadra-se em uma doença tratável, ainda que incurável e, desmistifica a ideia de ser uma questão moral e de desrespeito às normas sociais.


 

Drogas mais comuns no Brasil

Dentre as substâncias que causam dependência química, as mais consumidas no Brasil são o álcool, o tabaco, a maconha, a cocaína e seus derivados.


O uso permanente de todas elas pode desencadear várias alterações biopsicossociais, como também pode levar o usuário à morte.


Apesar de aparentemente inofensivo, o álcool, por exemplo, pode ser responsável por significativas morbidades físicas.


O usuário pode sofrer desnutrição severa, insuficiência pancreática e hepática, desenvolvimento de gota, osteoporose, hipertensão arterial, e outras complicações fisiológicas, além de alterações psiquiátricas graves, como intoxicação alcoólica, síndrome de abstinência do álcool, alucinose alcoólica, depressão, podendo ampliar o risco de suicídio do indivíduo.


Tratamento para dependência química

O ponto-chave para o tratamento é o reconhecimento do próprio dependente químico de que ele tem uma doença que precisa ser tratada e controlada diariamente, para que haja satisfação em viver. E a abstinência é o primeiro passo.


O tratamento é muito variável, pois todos os dias surgem novas descobertas científicas permitindo assim recentes e eficazes abordagens medicamentosas e terapêuticas.


As clínicas especializadas para dependentes químicos oferecem muitas abordagens para o tratamento nas várias partes do ser humano sendo biológica, psíquica, social e até mesmo espiritual.


 Terapia Cognitiva comportamental para dependência química

A Terapia Cognitivo-Comportamental é a mais indicada pela American Psychological Association (APA).


 Por meio dela, o paciente tem suporte medicamentoso prescrito por um psiquiatra, quando necessário, e abordagens terapêuticas apropriadas para a prevenção de recaídas, desenvolvimento de habilidades sociais e mudança de hábitos.


Há muitas opções de tratamento disponíveis. Entretanto, assim que o indivíduo faz esse reconhecimento do impacto negativo da dependência em sua vida, um tratamento recomendado é a internação, a fim de ajudá-lo com todas as opções necessárias para a sua recuperação.


Fonte: https://www.marceloparazzi.com.br/blog/dependencia-quimica-dados-apontam-35-milhoes-de-pessoas-sofrendo-com-transtornos/